Junto com uma colega, fui palestrante na Semana Acadêmica da Comunicação na Fabico. Tema: Jornalismo Ambiental. Do debate, fomos direto para a gravação do programa Caderno 2, do Núcleo de TV da UFRGS. Voltei para casa mais do que feliz. Por ver olhos atentos e estudantes questionadores, por ter certeza de que há vontade de fazer. Ouvir opiniões claras, posições interessantes e preocupações pelo bom exercício da profissão, dão a certeza de que sempre pode haver jornalismo de fato, luzes que possam ser acesas em meio ao conservadorismo, altas doses de preconceito e olhares rasteiros distribuídos todos os dias.
Estou em contato com jornalismo e meio ambiente desde o final de 1999. Dez anos no próximo dezembro, então. Ver outros estudantes (no mesmo momento em que eu estava naquela época) com clareza do que seja este trabalho (ou pelo menos com vontade de fazê-lo, com interesse) é muito bom. Tenho certeza de que eu não tinha toda essa visão. Comecei na área em função de uma oportunidade de estágio, indo atuar em uma equipe multidisciplinar, em um projeto de reflorestamento, e produzindo de tudo, jornal, vídeos em propriedades rurais e escolas, passando pelos tradicionais releases e até algumas histórias em quadrinhos. Sou o que sou em função da poeira nas estradas, dos colegas sensacionais que tive, dos desafios de mexer com coisas muito complexas. E de tomar umas cacetadas, como quando a foto da primeira página, do primeiro número do jornal, saiu toda quadriculada e a empresa que bancava o projeto subiu nas tamancas, com toda razão. Também dobrei milhares de jornais para distribuição a cada dois meses, ajudei a organizar uns oito mil desenhos de um concurso para crianças e precisei lidar com diversos conceitos que hoje já estão muito mais disseminados. E tive ajudas excelentes, diálogos que me marcam até hoje, com a equipe do projeto, biólogos, engenheiros, ouvindo depoimentos de agricultores, estudantes de escolas do interior de municípios pequenos, muita gente a quem o nosso grande jornalismo não enxerga.
Depois fui para o rádio. Uma rádio educativa, de universidade, e que sempre significou, para mim, liberdade, possibilidades e espaço de experimentação. Cinco anos com um programa semanal sobre meio ambiente, entre outras tarefas. Centenas de entrevistados. Cinco anos que não tenho como definir. Acho que fiz boas coisas, pelo menos tentei. Outras nem tanto, como ser jornalista de pijama em muitas situações, sem sair da redação. Mas também consegui construir alguns métodos, aprendi sobre infinitas questões e penso que, ao final, o saldo foi extremamente positivo, a ponto de ficar achando que posso dizer alguma coisa sobre como trabalhar hoje, diante de um cenário multifacetado, com este tema. Há quatro anos entrei para o Núcleo de Ecojornalistas do RS, onde essas preocupações estão sempre presentes e melhorar a cobertura e a prática é um debate recorrente. E esse espaço me ajudou consideravelmente.
Aí decidi que devia ter um tempo para pensar mais. Já estava com uma "vida paralela" desde o mestrado. No início de 2007, ingressando no doutorado, a rotina acadêmica passou ser a minha vida, conciliada com a participação no NEJ/RS, que me ofereceu muitas oportunidades. Desde abril passado estou revendo todas essas histórias. Depois da qualificação do projeto de tese, mergulhei em outra etapa. Reflexões. O trabalho de pesquisa se intensifica a cada dia, se encaminha para suas fases decisivas e será minha principal preocupação (e talvez a única em boa parte) dos próximos meses. Muitas coisas para serem ditas, várias para serem reconsideradas.
Por tudo isso foi tão bom ontem. Dizer, um pouco que seja, sobre o que podemos fazer, no quanto o jornalismo precisa resgatar certas questões, como uma boa reportagem, por exemplo. De quanto precisamos nos preparar, saber colocar os fatos desse mundo em perspectiva. Do quanto negligenciamos conexões, desdenhamos urgências, esquecemos de olhar pela janela. Do quanto é importante bater nessa idéia de jornalismo ambiental, para a qual muitos torcem o nariz por achar "meio panfletária". Não falo da defesa de iludidos, tenho tentado sempre levar a sério essa discussão. É um alerta de que algo está faltando, um adjetivo para abrir algumas perspectivas, tão natural quanto falar nos "tradicionais" jornalismos: econômico, esportivo, cultural. Um beliscão, talvez. Para dizer que chega de ter só uma visão tão imediata, de achar que não dá para fazer, que não há espaço ou é muito difícil. É por um grande debate e que defende, em tese, o que realmente precisamos: um bom jornalismo. Bom de verdade.
Foi interessante perceber entusiastas dessas idéias. Gente que pretende exercitá-la. Gente que sabe que programa sobre bichinho e celebração de artesanado com garrafa pet não cumpre a função maior que precisamos cumprir agora. E que os alarmes em torno do fim do mundo dão, por efeito, um resultado geralmente contrário. Que falta contextualização, falta cobertura sistemática. Gente que consegue ver, por exemplo, a ausência que grandes reportagens sobre questões cruciais do universo socioambiental, ainda mais na TV e no rádio comercial, por exemplo, onde praticamente foram abandonadas ou aparecem em casos isolados. Mas que, no meio disso tudo, há uma mudança em curso, um período ideal para batalhar por essas idéias. E tem a internet e importantes possibilidades. Que assim seja, pois. Para valer a pena ser o que se é.
Estou em contato com jornalismo e meio ambiente desde o final de 1999. Dez anos no próximo dezembro, então. Ver outros estudantes (no mesmo momento em que eu estava naquela época) com clareza do que seja este trabalho (ou pelo menos com vontade de fazê-lo, com interesse) é muito bom. Tenho certeza de que eu não tinha toda essa visão. Comecei na área em função de uma oportunidade de estágio, indo atuar em uma equipe multidisciplinar, em um projeto de reflorestamento, e produzindo de tudo, jornal, vídeos em propriedades rurais e escolas, passando pelos tradicionais releases e até algumas histórias em quadrinhos. Sou o que sou em função da poeira nas estradas, dos colegas sensacionais que tive, dos desafios de mexer com coisas muito complexas. E de tomar umas cacetadas, como quando a foto da primeira página, do primeiro número do jornal, saiu toda quadriculada e a empresa que bancava o projeto subiu nas tamancas, com toda razão. Também dobrei milhares de jornais para distribuição a cada dois meses, ajudei a organizar uns oito mil desenhos de um concurso para crianças e precisei lidar com diversos conceitos que hoje já estão muito mais disseminados. E tive ajudas excelentes, diálogos que me marcam até hoje, com a equipe do projeto, biólogos, engenheiros, ouvindo depoimentos de agricultores, estudantes de escolas do interior de municípios pequenos, muita gente a quem o nosso grande jornalismo não enxerga.
Depois fui para o rádio. Uma rádio educativa, de universidade, e que sempre significou, para mim, liberdade, possibilidades e espaço de experimentação. Cinco anos com um programa semanal sobre meio ambiente, entre outras tarefas. Centenas de entrevistados. Cinco anos que não tenho como definir. Acho que fiz boas coisas, pelo menos tentei. Outras nem tanto, como ser jornalista de pijama em muitas situações, sem sair da redação. Mas também consegui construir alguns métodos, aprendi sobre infinitas questões e penso que, ao final, o saldo foi extremamente positivo, a ponto de ficar achando que posso dizer alguma coisa sobre como trabalhar hoje, diante de um cenário multifacetado, com este tema. Há quatro anos entrei para o Núcleo de Ecojornalistas do RS, onde essas preocupações estão sempre presentes e melhorar a cobertura e a prática é um debate recorrente. E esse espaço me ajudou consideravelmente.
Aí decidi que devia ter um tempo para pensar mais. Já estava com uma "vida paralela" desde o mestrado. No início de 2007, ingressando no doutorado, a rotina acadêmica passou ser a minha vida, conciliada com a participação no NEJ/RS, que me ofereceu muitas oportunidades. Desde abril passado estou revendo todas essas histórias. Depois da qualificação do projeto de tese, mergulhei em outra etapa. Reflexões. O trabalho de pesquisa se intensifica a cada dia, se encaminha para suas fases decisivas e será minha principal preocupação (e talvez a única em boa parte) dos próximos meses. Muitas coisas para serem ditas, várias para serem reconsideradas.
Por tudo isso foi tão bom ontem. Dizer, um pouco que seja, sobre o que podemos fazer, no quanto o jornalismo precisa resgatar certas questões, como uma boa reportagem, por exemplo. De quanto precisamos nos preparar, saber colocar os fatos desse mundo em perspectiva. Do quanto negligenciamos conexões, desdenhamos urgências, esquecemos de olhar pela janela. Do quanto é importante bater nessa idéia de jornalismo ambiental, para a qual muitos torcem o nariz por achar "meio panfletária". Não falo da defesa de iludidos, tenho tentado sempre levar a sério essa discussão. É um alerta de que algo está faltando, um adjetivo para abrir algumas perspectivas, tão natural quanto falar nos "tradicionais" jornalismos: econômico, esportivo, cultural. Um beliscão, talvez. Para dizer que chega de ter só uma visão tão imediata, de achar que não dá para fazer, que não há espaço ou é muito difícil. É por um grande debate e que defende, em tese, o que realmente precisamos: um bom jornalismo. Bom de verdade.
Foi interessante perceber entusiastas dessas idéias. Gente que pretende exercitá-la. Gente que sabe que programa sobre bichinho e celebração de artesanado com garrafa pet não cumpre a função maior que precisamos cumprir agora. E que os alarmes em torno do fim do mundo dão, por efeito, um resultado geralmente contrário. Que falta contextualização, falta cobertura sistemática. Gente que consegue ver, por exemplo, a ausência que grandes reportagens sobre questões cruciais do universo socioambiental, ainda mais na TV e no rádio comercial, por exemplo, onde praticamente foram abandonadas ou aparecem em casos isolados. Mas que, no meio disso tudo, há uma mudança em curso, um período ideal para batalhar por essas idéias. E tem a internet e importantes possibilidades. Que assim seja, pois. Para valer a pena ser o que se é.



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